CARTA ABERTA AOS ESTUDANTES NA OCUPAÇÃO DO CAMPUS DA UEFS, BA

Caros(as) Estudantes,

A assembleia geral da Associação Nacional de História seção Bahia (ANPUH Bahia), reunida no dia 04 de novembro do corrente ano, na cidade de Feira de Santana, no momento em que encerrava o VIII Encontro Estadual de História, aprovou essa carta aberta à Ocupação da Uefs e considera oportuno dirigir a vocês algumas palavras.
As primeiras são para reiterar a nossa plena solidariedade com a luta que vocês protagonizam no campus da UEFS. É a mesma luta travada por muitos(as) outros(as) estudantes, secundaristas e universitários(as), e também por muitos(as) professores em vários lugares do Brasil. Esta luta também é nossa, e é por isso que falamos em solidariedade. Os profissionais de História, e nossa Associação, somaram seus esforços aos de outros(as) que se dispuseram a denunciar, contestar e combater os ataques lançados contra a universidade, a educação e a saúde públicas, contra direitos e liberdades fundamentais. Foi o que fizemos, de muitas maneiras, também neste VIII Encontro, que agora se encerra, cuja programação incluiu diversos momentos de análise e discussão de temas relacionados às agressões conservadoras que se erguem contra nós. E foi por isso que, ao longo do Encontro, saudamos, declaramos nosso apoio e buscamos criar espaços de aproximação e interação com o movimento de vocês. Nosso Encontro chegou ao fim mas nossa solidariedade ativa com vocês prosseguirá até o último combate, e que sejamos vitoriosos(as).
Temos também outras palavras, além dessas. Queríamos registrar o quanto lamentamos que os espaços de aproximação entre o VIII Encontro e o movimento de ocupação da UEFS tenham sido cancelados por decisão de vocês. Não conseguimos entender o que o movimento ganhou ao tratar o nosso Encontro como adversário, impedindo o acesso ao campus e a continuidade das atividades planejadas. Todas as inúmeras tentativas de diálogo que fizemos para viabilizar a continuidade do evento não foram acolhidas. Não levaram em consideração nem mesmo o fato de que a maioria dos nossos inscritos, que passaram de mil, era constituída de estudantes que tiveram, muitos deles, de fazer grandes esforços para participar do evento. Nem conseguimos acreditar na informação de que nossa Associação teria sido classificada, por alguns de vocês, como de natureza empresarial e com caráter privatista, pois tal disparate só poderia ser proveniente da ignorância ou da má fé, e não acreditamos que qualquer uma das duas prevaleça entre vocês.
Perdemos a oportunidade para somar esforços e isso é especialmente grave num momento como este, quando o inimigo cresce diante de nós e ainda somos muito poucos.
Por fim queríamos dizer-lhes que, enquanto persistirem nesta trincheira, outras mãos, além das nossas, serão estendidas. Não há o que temer: mãos companheiras não são ameaças, podemos apertá-las fraternalmente.

Feira de Santana, 04 de Novembro de 2016.

Assembleia Geral da ANPUH-BA

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